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“SAO JOÃO E A MENINA DA LANTERNA” – QUAL TRADIÇÃO MARCOU A SUA HISTÓRIA?

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Hoje, 24 de junho,  é comemorado dia de São João no Brasil, uma festa tradicionalmente brasileira. Eu, que moro fora do país, sinto muita falta deste evento, pois além de ser uma festa super alegre, também resgata um pouco da nossa história, das nossas tradições!  E como é importante resgatar nossa história, isso conta um pedacinho sobre nós, dos nossos valores e da importância de valorizar nossas raízes.

Nesta mesma época também é comemorada, nas escolas Waldorf, a festa da lanterna, que é uma das festas muito bonita e com muito significado, preparada com muito carinho pela escola, pelas crianças e pelas famílias.

Na Festa da Lanterna, é contada a história d’A menina da Lanterna, que faz uma linda metáfora sobre a trajetória humana e nos fala do despertar da luz interior de cada um de nós. “Quando o ser humano se esforça a transformar suas dificuldades e se dispõe a trilhar o caminho do autoconhecimento e aperfeiçoamento, ele começa a transformar o escuro em luminoso, o feio em bonito e o mal em bem”

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A  MENINA  DA  LANTERNA

             Era uma vez uma menina que carregava alegremente sua lanterna pelas ruas. De repente chegou o vento e com grande ímpeto apagou a lanterna da menina.

          Ah! Exclamou a menina. – Quem poderá reacender a minha lanterna? Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém. Apareceu, então, uma animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras. Era um ouriço.

           Querido ouriço! Exclamou a menina, – O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender a minha lanterna? E o ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir pra casa cuidar dos filhos.

           A menina continuou caminhando e encontrou-se com um urso, que caminhava lentamente. Ele tinha uma cabeça enorme e um corpo pesado e desajeitado, e grunhia e resmungava.

            Querido urso, falou a menina, – O vendo apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderá acender a minha lanterna? E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir e repousar.

            Surgiu então uma raposa, que estava caçando na floresta e se esgueirava entre o capim. Espantada, a raposa levantou seu focinho e, farejando, descobriu-a e mandou que voltasse pra casa, porque a menina espantava os ratinhos. Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se sobre uma pedra e chorou.

         Neste momento surgiram estrelas que lhe disseram pra ir perguntar ao sol, pois ele com certeza poderia ajudá-la.

           Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho.

           Finalmente chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando sua roca. A menina abriu a porta e cumprimentou a velha.

            – Bom dia querida vovó – disse ela

            – Bom dia, respondeu a velha.

           A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la porque ela fiava sem cessar e sua roca não podia parar. Mas pediu a menina que comesse alguns biscoitos e descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou sua lanterna a continuou a caminhada.

           Mais pra frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta a cumprimentou-o. Perguntou, então se ele conhecia o caminho até o Sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que o caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois pegou sua lanterna e continuou a caminhada.

           Bem longe avistou uma montanha muito alta. Com certeza, o Sol mora lá em cima – pensou a menina e pôs-se a correr, rápida como uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o Sol, mas a criança nem responde. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos.

            Então a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o Sol.

            – Vou esperar aqui até o Sol chegar – pensou a menina, e sentou-se na terra.

            Como estivesse muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam e ela adormeceu. O Sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna. Depois que o sol voltou para o céu, a menina acordou.

            – Oh! A minha lanterna está acessa! – exclamou, e com um salto pôs-se alegremente a caminho.

           Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram então a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.

         A menina da lanterna continuou seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste na sua oficina.

       Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do artesão, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar seus sapatos.

     A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não podia mais fiar. A menina acendeu nova luz e a velha agradeceu, e logo sua roda girou, fiando, fiando sem cessar.

Depois de algum tempo,a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho da lanterna. A raposinha, ofuscada, farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e, tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante. Assim a menina voltou feliz pra casa.

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Nesta foto, sou eu encenando a própria menina da lanterna em 2015 e temos as crianças com suas lanternas produzidas por elas mesmas, num lindo passeio no parque ao entardecer como se todas estivessem em busca da sua luz interior. Delícia relembrar este momento e poder compartilhar com vocês!

Agora conte aqui para nós, qual tradição que marcou a sua história e hoje ainda faz parte da sua vida?

Boa semana,

Texto por Giuliana Tranquilini

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